Anarcômetro

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Farei aqui o exercício de listar como andam minhas crenças políticas. Admito ser facilmente balançado por argumentos, mas não sei se isso é ruim ou bom. Vamos ver como estou hoje. Continue lendo

Que venha o meteoro

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Vem, meteoro!

Sabem qual o problema do cristianismo? É que Jesus é visto como uma exceção. Dessa forma, ele não pode ser um modelo para seus fiéis. O fiel se resigna ao papel de pecador e o desempenha com dedicação.

A parte em que Jesus larga tudo e vai viver com os pobres não é tão difícil como pensam. Difícil é a parte em que os outros se voltam contra ele. Porque é esse o problema de ser generoso e preocupado com os outros. Você se torna a exceção. Todos acham que você deveria cuidar da sua vida e deixar o mundo explodir. E aí de você se tentar envolver os outros na história.

Dar comida aos pobres é um esforço que a maioria não compreende (a não ser quando você pode largar um saco de arroz na porta do supermercado durante uma campanha de caridade com apoio midiático- se tiver que dar a comida nas mãos da pessoa, aí já é demais), mas lidar com suas mortes por fome é algo tido como natural. Prestar suporte a um suicida em potencial é considerado um desvio de prioridades, mas tudo bem ter que carregar seu caixão até a cova. A nobreza das pessoas é medida vulgarmente pela disposição para cumprir tarefas inevitáveis. Já as que se escolhe livremente, aí não é nobreza, mas aborrecimento.

Por que anti-autoritários são diagnosticados como mentalmente doentes

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Por Bruce Levine, psicólogo e ativista americano, em 26 de fevereiro de 2012. Clique aqui para o original em inglês.

 

 

Na minha carreira como psicólogo, conversei com centenas de pessoas previamente diagnosticadas por outros profissionais como sofrendo de transtorno desafiador de oposição, transtorno de deficit de atenção e hiperatividade, transtorno de ansiedade e outras doenças psiquiátricas, e eu me impressiono com (1) quanto desses diagnosticados são essencialmente anti-autoritários e (2) como os profissionais que os diagnosticaram não são. Continue lendo

Liberdade e a vitória do anarquismo

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Num outro post, falei que no anarquismo as pessoas seriam livres para fazer o que quiserem desde que arquem com suas consequências. Mas então qual a diferença entre o anarquismo e o liberalismo e suas posições mais individualistas? E como os anarquistas evitariam um destino caótico, como aquele da crítica que eles mesmos fazem ao “anarco”-capitalismo? Por que o anarquismo seria diferente?

Porque o anarquismo, para funcionar, deve ser construído pelo povo. Até hoje, todo sistema foi imposto e toda mudança foi dirigida. Ao contrário da direita, não acreditamos que uma sociedade ideal seja ocasionada através da observância a princípios idealizados. A simples liberdade de mercado, como uma abstração metafísica, não vai fazer com que a libertação da humanidade aconteça. Da mesma forma, nos vermos livres do estado não seria suficiente para tal. O povo deve querer construir uma sociedade anarquista baseada na auto-gestão e na ajuda mútua. Se o povo não se orientar a um fim comum, não produzirá nada de proveito, mas apenas uma insurreição momentânea e o regresso à ordem estatal.

Portanto uma mudança tão grande como a construção da sociedade anarquista deve ser precedida por uma outra mudança também enorme, que é a mudança de paradigma do próprio povo. Só através de um trabalho de base árduo podemos pensar em começar uma nova sociedade. É necessária uma mudança cultural de valores da população para que ela deixe de ser indiferente e passiva, pois ela é a personagem principal do anarquismo, diferente do “mercado” e a “propriedade privada” dos capitalistas.

Tal coisa pode parecer impossível, mas é a mais importante, pois até hoje, a população foi coagida a obedecer. Coagida. Logo,  não houve sistema político que tenha trazido a liberdade. O liberalismo, portanto, é uma mentira até no nome.

Mania de mercado

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Mercado. Literalmente, um mercado.

Uns dias atrás, um amigo me falou de quando discutia com ultraliberais. Eles, segundo meu amigo, não conseguem ver nada a não ser como uma forma de interação mercadológica. Meu amigo é cristão e usou o exemplo da morte de Cristo como algo que ele teria feito de graça, ou seja, sem querer nada em troca. Os ultraliberais não aceitam tal explicação, defendendo que Jesus teria comprado a salvação da humanidade através de seu sacrifício. Segundo os caras, nenhum ato é gratuito. Dessa forma, meu amigo resolveu abandonar o argumento sagrado e mergulhou no profano, dizendo que se ele cagar, a cagada é gratuita. 😀 Os caras não aceitaram. Disseram que cagar é uma troca consigo mesmo. Você, ao sentar no troninho por uns segundos e fazer uma forcinha, compra alívio. Tudo, portanto, seria comércio.  Continue lendo

Reflexão sobre direitos e liberdade.

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Eu vejo direitos, assim como deveres, como algo estipulado num acordo ou por imposição. Se você entra num acordo com sócios, tal acordo estipula seus direitos. Um estado, no qual se diz haver um contrato social, tal contrato estipula seus direitos. Como o leitor deve saber, eu não aceito contrato social como legítimo. Eu não escolhi fazer parte do contrato e, mesmo que digam que tiro proveito do que o estado oferece, é porque não há alternativa. Como os representantes políticos agem com independência do eleitorado e total dependência de sua rede de influências políticas e do grande empresariado, representação política é uma farsa. Seja um parlamento ou um déspota, as leis que eles criam são sempre impostas ao povo.  Continue lendo

Pequenas notas sobre um mundo que talvez não valha a pena.

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Stan Lee é filósofo e você nem sabia.

 

•Clarice Falcão faz um clipe com pau, cu e buceta no país do carnaval, das panicats, dos leopardos, etc. e meio século depois da liberação sexual, no mundo da pornografia grátis sem fronteiras. E o mundo das pessoas cai.

•Uma loja de móveis faz campanha verbalmente ofensiva contra as mulheres e usa fotos de mulher nua na campanha. As pessoas defendem a loja em nome da liberdade de expressão. Porque  liberdade de expressão é falar merda sem que te critiquem. Grandes poderes não trazem grandes responsabilidades. Entendi. Alguém me passa uma 12 para eu estourar minha cabeça, por favor?

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“Adeus, menininha ruiva…”

•Escrevi um artigo perguntando se há motivos para eu continuar lendo Hakim Bey. Eu sei que conheço gente que curte Hakim Bey, mas ninguém me ofereceu argumentos para continuar a leitura. Cara, nem meus amigos lêem o que eu escrevo!? 😦

•Eu milito junto a anarco-individualista ou anarquista de estilo de vida tranquilamente se sua postura não inviabilizar a construção de um movimento anarquista de cunho social. Se o cara quiser experimentar dos “momentos de anarquia já no presente” que Hakim Bey defende, tudo bem, desde que ele se comprometa com um projeto social sólido e esteja disposto a compor organizadamente conosco.