Roda de Conversa sobre Anarquismo e Supremacia Branca (Rio de Janeiro)

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Convidamos à todos pra nossa próxima roda de conversa!
O texto escolhido da vez é o primeiro capitulo ”Uma Análise da Supremacia Branca” – do livro ”Anarquismo e Revolução Negra” do anarquista americano Lorenzo Komboa Ervin, ex-pantera negra e militante da Black Autonomy Federation, resgataremos esse livro que, apesar de escrito na década de 70, só foi lançado no Brasil em 2015 e serve como ferramenta para luta contra a supremacia branca e o racismo.

O grupo se reune sempre na UERJ, no nono andar, as 18:30 e é aberto a todos.

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Barreiras para a união das lutas

Jogo da Direita

 

 

 

 

Os movimentos identitários são muito importantes por atacar problemas mais específicos que costumam ser eclipsados por pautas mais gerais, porém o discurso que eles vêm usando é péssimo por motivos que destacarei aqui.

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Sobre matriarcado, visão pessoal

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Meu pai morreu faz quatro dias. Eu desabei. Nunca pensei que pudesse sentir tamanha dor. Acho que me sentirei incapacitado por mais alguns dias. Todos os meus pensamentos doem, porque meu pai faz parte de todas as equações na minha mente, mas agora sua variável está vazia. Quando minha mãe morreu 19 anos atrás, sofremos por mais de um ano antes de seu fim. Dessa vez, uma semana após dar entrada no hospital, meu pai morreu. Foi tudo rápido demais para absorver. Imaginem quando alguém morre subitamente, então? Só consigo imaginar quão atordoados os parentes e amigos ficam.O que me surpreende nisso tudo é a força e a iniciativa de minha irmã. Assim como eu, ela está muito triste. Porém não parou de resolver problemas de ordem burocrática criados pela morte de nosso pai. Com muito poucos intervalos para descanso, ela vai para lá e para cá resolver coisas. O máximo que eu tenho feito é levar as contas que sobraram para caixas eletrônicos e pagá-las por débito em conta. Quem faz a parte complicada é ela e eu só contribuo com os recursos. Parece que eu estou a explorá-la, não? Mas ela nem quer que eu me meta no que ela já está fazendo para evitar confusões!

É surpreendente o talento dela para administração, mas quando eu parei para pensar melhor, o cérebro da nossa casa, durante a minha infância e adolescência, era minha mãe. Foi só ela morrer para meu pai perder o juízo e tomar o máximo de decisões erradas possíveis. Mesmo que meu pai se achasse o chefe da casa, a última palavra era sempre a da minha mãe. E antes da minha mãe na vida de meu pai, veio a mãe dele, cuidando sozinha de sete filhos! E foi então que eu percebi que, do lado de meu pai até aqui, nossa família sempre foi matriarcal!

Não é como se minha irmã fosse perfeita e eu nunca a corrigisse, ou como se eu não tivesse liberdade nenhuma. Acontece que é ela quem tem as boas ideias. É ela que tem o conhecimento de como proceder numa situação de necessidade. Por que eu iria bater de frente com ela quando ela está fazendo tudo certo? Para mostrar que eu não sou subalterno? Não é uma relação de autoridade, mas de confiança.

Eu tenho a impressão de que o resto da humanidade seja como na minha família. Não digo que toda mulher tenha talento administrativo nem que nenhum homem tenha, mas é provável que o gênero feminino leve uma grande vantagem estatística nisso, assim como a maioria dos grandes humoristas são homens (independente de quantas Tatá Werneck e Tina Fey existam). Não me interessa o debate “nature vs. nurture”, eu não quero saber de onde isso vem. Mas eu acho que a maioria das mulheres tem um talento para cuidar das coisas e foi justamente por isso que o homem tem oprimido a mulher. Através da força, o homem dominou esse ser maravilhosamente capaz que é a mulher por seus talentos inestimáveis. A violência foi a forma como o homem compensou sua inaptidão para manter as casas e as comunidades funcionando.

Patch Adams, aquele médico que virou filme, na verdade tem como objetivo acabar com o capitalismo e promover um matriarcado de avós. Avós sempre recebem bem suas famílias e amigos de seus familiares. Se a avó tiver comida, ela dividirá. Nos primórdios da civilização, as mulheres tomaram conta dos alimentos e administraram a distribuição. Foi o homem que criou a propriedade privada. Foi o homem que transformou a mulher em escrava. Foi o homem quem nos colocou nesse ciclo sem fim de guerras. Foi o homem que inventou a moeda para pagar seus exércitos. Foi o homem que hierarquizou nossa existência.

Se há mulheres levadas a agir como o homem médio, talvez seja hora de nós homens aprendermos a agir mais como a mulher média, independente de orientação sexual ou cromossomos.

Resposta a quem diz “imposto é roubo!”:

well-i-didnt-tread-9789188Vem cá, vão continuar com essa palhaçada de propriedade privada? Então, enquanto tiver propriedade privada, vai ter a porra do imposto, sim! O dia em que todo mundo perceber que o pior roubo da história da humanidade, o roubo original, é a propriedade privada, o imposto poderá acabar. Até lá, fiquem lançando palavras ao vento.

E viva o matriarcado comunal do Anarquismo das Avós, porque na casa da vovó, ninguém passa fome! Abasteçamos sempre as vovós para que ninguém mais passe fome!

Roda de Conversa sobre Guerra dos Discursos e Tática Black Bloc – Rio de Janeiro

20430076_723938991132066_5337192230180174177_nNessa sessão, discutiremos o último capítulo da dissertação de mestrado recém defendida por JUAN FILIPE LOUREIRO MAGALHÃES sob orientação do Prof. Dr. Wallace Moraes pelo PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA COMPARADA do IFCS. A dissertação, intitulada TERROR NAS ENTRELINHAS: O conceito de terrorismo como um discurso de poder político e suas apropriações ideológicas, analisa o uso do conceito de terrorismo e suas diversas apropriações nas guerras discursivas. O último capítulo, APROPRIAÇÕES DISCURSIVAS EMPÍRICAS E A TÁTICA BLACK BLOC, é um estudo de caso empírico acerca da tentativa de classificação da tática Black Bloc como uma ação de cunho terrorista. JUAN FILIPE LOUREIRO MAGALHÃES estará conosco e apresentará seu trabalho para subsequente debate. Segue o link para o texto:

JUAN FILIPE LOUREIRO MAGALHÃES – TERROR NAS ENTRELINHAS: O conceito de terrorismo como um discurso de poder político e suas apropriações ideológicas, UFRJ, Programa de Pós-graduação em História Comparada, 2017

Será no nono andar da UERJ!

Link para evento no Facebook.

Roda de Conversa sobre Guerra e Capital (Alliez & Lazzarato) – Rio de Janeiro

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Atendendo aos pedidos, vamos discutir novamente a Introdução do livro ‘Guerra e Capital’, Aos nossos Inimigos, de Eric Alliez e Maurizio Lazzarato, lançado em 2016 e ainda inédito no Brasil. A introdução foi traduzida especialmente para o debate anterior e será acrescida de novos trechos, dando continuidade à divulgação da obra (esta é a meta!). De qualquer modo, agora todos terão tempo de ler o que já foi traduzido.

O texto analisa a conjuntura atual do capitalismo

 sob o prisma da Guerra permanente e continuada.

“O capitalismo e o liberalismo trazem a guerra na barriga como as nuvens trazem a tempestade. Se a financeirização do fim do século 19 e do começo do 20 conduziu à guerra total e à Revolução Russa, à crise de 1929 e às guerras civis europeias, a financeirização contemporânea nos leva à guerra civil global reconfigurando todas as suas polarizações.”

 

 

“A guerra, a moeda e o Estado são forças constitutivas ou constituintes, quer dizer, ontológicas, do capitalismo”.

“O capital não é um modo de produção sem ser ao mesmo tempo um modo de destruição – afirmam os autores de “Guerres et capital”. A acumulação infinita que alarga continuamente os seus limites para os recriar de novo é ao mesmo tempo uma destruição ampliada ilimitada. Os ganhos de produtividade e os ganhos de destrutividade progridem lado a lado. Eles se manifestam na guerra generalizada que os cientistas preferem chamar Antropoceno, em vez de Capitaloceno, ainda quando, à toda evidência, a destruição dos nossos ambientes não tenha começado com o “homem” e suas necessidades crescentes, mas com o Capital”.

9º Andar da UERJ as 18:30!
Sala ainda à confirmar!

Download:
Guerra e Capital – Introdução revisada

 

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