NOTA PÚBLICA DO ADEP CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO INTERNA AOS MOVIMENTOS SOCIAIS

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Nosso Inimigo é o Capital e o Estado que o mantém

AÇÃO DIRETA EM EDUCAÇÃO POPULAR – ADEP·SÁBADO, 1 DE JULHO DE 2017

O ADEP vem por esta nota se manifestar sobre a contraposição absurda que vem sendo propagada de modo irresponsável por alguns indivíduos e coletivos entre apoiar a Liberdade de Rafael Braga e apoiar outros peseguidos políticos de origem supostamente burguesa (mesmo que ‘ou não!’) ou supostamente brancos (mesmo que ‘ou não!’), particularmente os 23 militantes presos arbitrariamente na véspera da final da Copa do Mundo em 2014, e ainda hoje processados sem sentença. Consideramos primariamente que as perseguições do Estado são complementares e não antagônicas. É preciso saber quem são nossos inimigos para também identificarmos corretamente quem são nossos amigos. Dizendo isso, assumimos que estamos vivendo em uma guerra e que a contraposição aludida serve aos nossos inimigos para nos exterminar mais facilmente. Isso não significa negar a existência do privilégio de classe e de cor que alguns entre os 23 têm. Mas admitir tal privilégio não inclui dizer que o Estado deveria ser sim arbitrário e violento para com eles, afinal ele é assim com aqueles que não gozam de tal privilégios. Esta posição mira no alvo errado e acerta a si mesmo, já que o Estado racista, assassino, arbitrário é ainda o mesmo Estado. Consideramos também que na guerra que nos encontramos, guerra de classe, de raça, de gênero, os oprimidos não são jamais os culpados responsáveis ou provocadores da violência que sofrem. Este ponto é muito importante. Pois o discurso de contraposição aludido muitas vezes assina embaixo da criminalização. Jamais alguém que sofre violência policial em um ato é culpado pela violência que sofre, tal como não são culpadas as mulheres estupradas por estarem com roupa curta ou os profissionais grevistas por exigirem seus direitos. Não, ninguém estava provocando, a violência policial não se justifica, a criminalização não é legítima. Nós do ADEP consideramos todos os presos como presos políticos, sabemos que a violência na favela é incomparável com a do asfalto, sabemos que os negros são os matáveis por excelência da nossa sociedade, sabemos que Rafael ainda está preso por ser negro. Mas isso não nos faz assinar embaixo da violência policial no asfalto, nem nos faz indiferentes às prisões arbitrárias de militantes que estão presos e processados por tomar parte nesta mesma luta de classes, de raça, de gênero, denunciando este Estado assassino. Defendemos Liberdade para Rafael Braga e arquivamento do processo dos 23, defendemos ainda Caio e Fábio, e toda luta anticárcere. Não culpamos a vítima pela violência que sofre, não assinamos embaixo de nenhum discurso midiático misógino ou contra o direito à autoorganização e autodefesa popular.

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