Nada melhorará enquanto os indignados continuarem passivos

Fotos de Francisco Proner Ramos (Mídia Ninja)

Rio de Janeiro, sexta-feira, 28/04/2016. Ato contra a reforma da previdência. Concentração na ALERJ- foi só os carros de som saírem que a polícia começou a atirar bombas nos manifestantes que ficaram para trás. Num primeiro momento, pessoas correm, mas depois se acalmam e tentam continuar o ato com as bombas estourando como se fosse ossos do ofício. No fim da rua, com os independentes já à frente da passeata, o carro de som parecia querer passar por cima deles enquanto os acusava de tentar impedir seu progresso. Se os independentes tivessem saído desembestados, teriam dado de cara com a tropa de choque.

Quebra-quebra durante todo o percurso, porque a polícia cismou de atacar as pessoas o tempo todo e estas ficaram revoltadas. Seguiram em fuga onde a CUT organizava seu vergonhoso ato-show. O choque veio aos pouquinhos, mas atacando sempre. Tanto as lideranças em palco como sua massa de manobra pediam para que manifestantes não provocassem ou não dessem motivos para a polícia atacar. A polícia conseguiu dispersar a multidão e o resto foi o caos tocado por aqueles que iam fugindo e tentando resistir no caminho. Vários ônibus queimados e a polícia sempre no encalço. Fim do relato

O que fica patente é que a esquerda institucional quase pede licença para demonstrar sua revolta dentro dos limites instituídos por aqueles contra os quais ela se opõe. A polícia determina o que vai acontecer e essa esquerda espera sua boa vontade para poder realizar alguma ação. Como a polícia demonstrou que o ato não era possível perante sua vontade ou a vontade do governo estadual, sobra à organização do ato jogar a culpa nos “vândalos”.

Em vários momentos, lideranças sindicais cortejaram o black bloc a partir dos carros de som. Mesmo assim, demonstraram muito bem que queriam mais que o bloc se fodesse. E a sua presença no ato é aceita pela função de bode expiatório. Vale lembrar que a postura da CUT no ato do dia 15/03/2017, contratando hooligans para bater em anarquistas e socialistas revolucionários foi denunciada e duramente criticada nas redes sociais. O cortejo ao bloc tenta quebrar essa imagem, mas é uma armadilha: agora eles vão dizer que foram os “vândalos” que estragaram o ato, ignorando que foi iniciativa da polícia impedir que o ato acontecesse.

Isso me faz questionar se a ação da polícia não fora combinada com a organização do ato, já que foram só os carros andarem para a violência começar. Porém não posso afirmar tal coisa. Estaria sendo leviano se o fizesse. O que eu posso afirmar é que não há como resistir à polícia enquanto boa parte do resto dos manifestantes não assumirem uma postura tão combativa quanto a do black bloc. E se os manifestantes ficarem à mercê de lideranças sindicais e de movimentos partidários, quem vai pautar os limites da revolta popular será justamente o poder contra o qual essa população se revolta.

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