Anarcômetro

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Farei aqui o exercício de listar como andam minhas crenças políticas. Admito ser facilmente balançado por argumentos, mas não sei se isso é ruim ou bom. Vamos ver como estou hoje.

  • Não tô mais tão ligado nos escritos do Bookchin, mas isso não quer dizer que o demonizo. Há críticas válidas ali, mas não sinto mais obrigação nenhuma de prestar satisfações ao seu programa pessoal. Se ele conseguiu influenciar uma revolução real no presente, acho ótimo e desejo sucesso à revolução, faria parte dela se estivesse por lá, mas aqui me sinto livre para buscar coisas diferentes.
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  • Reli textos da Plataforma e, ao contrário do que imaginei de início, não virei um plataformista ao fim da leitura. Concordo com a preocupação do pessoal do Dielo Truda de que há uma necessidade de coerência programática, mas acho que a Plataforma peca muito pelo centralismo. Não sinto necessidade de demonizar o plataformismo por ter propostas das quais discordo. Na verdade, admiro muito a galera do Makhno.
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  • Ando preferindo consenso sem coação como forma de tomada de decisões, porém tal consenso não é no sentido mais literal e absoluto. É um método no qual uma maioria bem maior que 51% ainda ganha, mas os não-contemplados podem apresentar objeções e são livres até mesmo para rachar a assembleia, o que, presume-se, produzirá dois grupos de ação diferentes. A decisão não tem poder nenhum de obrigar os indivíduos ao cumprimento, considerando que se eles consentiram em participar de assembléia, é porque estão dispostos a contribuir. Consenso é nesse sentido de que todos entram de acordo e saem de acordo. Tais deliberações têm, portanto, um caráter comunicativo em vez de impositivo.
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  • Trabalho de base é imprescindível para que se construa uma mínima unidade programática, pois já que não se pode obrigar ninguém a seguir nossas ideias, precisamos da aceitação do povo, pois só ele libertará a si próprio. Sim, nós somos parte do povo, mas agimos só enquanto parte, nunca no lugar do todo.
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  •  Ainda acredito em luta de classes, mas não consigo ver as categorias com limites claros. Vejo um contínuo entre o mais explorado e o mais explorador, embora chegue num ponto onde parece haver um salto ou uma barreira, que é justamente onde já não se é mais explorado de forma alguma, mas a diferença parece ser o quão próximo o cara tá do ponto de maior concentração de capital ou se ele é mais um elo condutor desse capital. Deu pra entender? Ficou complicado…
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  • Não curto anarco-individualismo, mas componho com individualistas tranquilamente se eles consentirem com as deliberações do coletivo. Não dando treta, não me importo com o que você acredita, mas com as suas ações.
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  • As ideias que apoiamos devem ser claras, pois devemos ser o mais honestos possíveis com quem nos ouve.
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  • NO GERAL, não apoio atentados isolados como “propaganda pelos atos”, mas apoio ação direta popular e violenta como forma de autodefesa.
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  • Defendo a busca pela revolução não só como forma de transformação, mas como autodefesa do povo contra as classes que o violentam todo santo dia. Quem são os defensores do status quo para criticar-nos se a república representativa precisou de DUAS revoluções para se tornar o regime padrão?
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  • “Anarco”-capitalismo precisa ser combatido, pois é uma ideologia oportunista e semelhante ao fascismo. Usa termos originados na esquerda, mas defende dominação do homem pelo homem através da autocracia e do racismo. Ou seja, usa duplipensar como estratégia de discurso. Coloco o ancapismo num espectro que vai de Julius Evola e sua defesa da aristocracia, o Fascismo no meio e os ancaps e sua defesa da “burgocracia”.  Assim como Evola procurou influenciar o fascismo embora o criticasse fortemente, os ancaps não possuem escrúpulos ao se unirem a elementos contrários à liberdade que dizem defender se isso significar a realização do tipo de elitismo que desejam.
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  • A alt-right americana é um fenômeno semelhante e se insere no mesmo âmbito. Não passa de uma demonstração do sincretismo ideológico fascista, onde um judeu gay pode ser um negador do holocausto e apoiador de terapia de conversão de orientação sexual (logo, um neo-nazista).
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  • Aleksandr Dugin e Putin são outros dois fascistas.
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