Socialismo enquanto utopia

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“Vamos ter que trocar o nome da Internacional para Intergalática, camarada!”

Quero aqui examinar o argumento de que o socialismo seria uma utopia, no sentido de uma realidade difícil ou até impossível de se realizar. Vou considerar aqui apenas socialismo (seja marxismo ou anarquismo) e o capitalismo na forma liberal. Nada de social-democracia aqui, pois quando não há riqueza suficiente para ela, ela se torna liberalismo e nada mais.

O pobre é insatisfeito com a realidade, pois nela, ele é carente. Logo é do interesse do pobre defender o socialismo, que defende uma nova realidade onde ele não será carente. Liberalismo/capitalismo não é, aparentemente, do interesse do pobre, pois ele quer algo diferente da realidade em que vive.

Alguém pode se opor ao parágrafo anterior. Se o socialismo defende uma utopia, então não é do interesse do pobre defender o impossível. Muito mais útil ao pobre seria a compreensão e aceitação da realidade na qual ele vive, ou seja, o liberalismo/capitalismo.

Mas isso traz um problema: se é mais útil para o pobre aceitar a realidade em que vive justamente por ser a realidade (o grifo é importante),  isso significa que em qualquer outra realidade que fosse, ele deveria aceitá-la. Se ele fosse um súdito de um rei absolutista, ele deveria aceitar. Se ele fosse um escravo, ele deveria aceitar. Até mesmo se a realidade fosse o socialismo, ele deveria aceitar. Mesmo que seja aceitar não só por se resignar em sua desgraça, mas como condição para ascender dentro dessa realidade. Essa defesa do liberalismo/capitalismo é então conservadorismo por conservadorismo, mais exatamente falando, reacionarismo.

Isso não é suficiente para demonstrar que o socialismo é a resposta aos anseios do pobre, até porque não diz por que raios ele deveria defender uma utopia ou o porquê do socialismo não ser uma utopia. Não é isso que eu queria ver aqui. O objetivo era só examinar essa implicação do argumento. Desapontado? Toma aqui um biscoito.

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Dois, até.

 

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