Resposta ao texto da Insurgência/PSOL sobre Black Bloc

O texto em questão é “A tática Black Blocs é capaz de parar a PEC 55/241?” da Insurgência (PSOL). Não vou linkar, então taquem no Google/Duck Duck Go.

Black bloc afasta as mulheres? Acho que o autor nunca viu um black bloc de perto. O número de mulheres que participam é praticamente metade! Ou será que o autor atribui às mulheres um caráter estereotipado de anti-combatividade?

Que tal parar vocês de fetichizar o black bloc? Até parece que foi o black bloc que inventou o revide popular à altura da violência estatal. E quantos outros grupos ussocialam panos na cara, mesmo quando exigem que os do black bloc tirem os seus? Ninguém chama MST e MTST de mascarados, embora eles usem máscaras. Mas sempre que alguém com camisa na cara revida a polícia, ele automaticamente é denominado black bloc. Ou seja, é uma oposição ao black bloc ou à revolta popular contra a bota que pisa no povo?

Tá, infiltrados? Sabem a quantidade de infiltrados sem máscaras participam de movimentos e manifestações? Só eu já impedi um agente do BOPE de começar porradaria. Nada de máscaras, a identidade dele é largamente conhecida. Um dos principais infiltrados de 2013/14 vendia camisetas de “Foda-se a copa”. Também não usava máscaras. Nesse ano, todo mundo viu o capitão do exército infiltrado em SP. Também sem máscaras e se relacionando com coletivo. Curioso: sabemos de dois infiltrados mascarados que atiraram molotov num ataque de bandeira-falsa: a ação tá registrada em vídeo. Ou seja, quando o cara tá sem máscara, ele se mistura aos coletivos, mas quando é um mascarado, é descoberto em ação.

Mas pra que infiltrados se vocês barram black blocs em manifestações e até entregam para a polícia? Curioso que quando PCdoB, PT e UNE embaçam ações populares, vocês ficam quietinhos só olhando, como se ser democrático fosse dar direito de voz a sabotador. Na época do desastre de Mariana, PSOL do Rio considerou vitorioso um ato no qual seus maiores feitos foram fazer uma performance tosca para os carros da classe média alta indo para Zona Sul, aparecer em entrevista para a GloboNews, tentar evitar a expulsão de jornalistas da tal emissora do local (falharam), e proteger o patrimônio da Vale (conseguiram). Tiveram a pachorra de considerar-se ponta de lança dos protestos em âmbito nacional, sendo que em MG ou ES, já tinham ocupado prédio da Samarco.

Eu acho curiosa essa mania de vocês tentarem descrever sempre o Black bloc como totalmente estanque da manifestação, como se os participantes não fossem parte do povo, ou pior, tivessem acabado de chegar de Marte. E também acho curioso como vocês se preocupam tanto com o que a mídia vai pensar, porque vocês na verdade não pensam em romper com o sistema, vocês acham que as características inerentes do capitalismo podem ser mudadas sem a destruição do capitalismo, o que é absurdo. Então, em vez agir com independência e lutar para contrapor o discurso dominante junto à população, vocês se deixam colonizar e tentam colonizar os demais, são capitulados pelas normas dominantes e adotam o discurso do opressor. E essa é a diferença entre nós e vocês: nós assumimos a responsabilidade de lutar para trazer abaixo aquilo que odiamos pelo bem do que amamos; vocês, embora não assumam, pegam tudo que odiamos, como se fosse um pinheiro, e enchem de guirlandas e luzinhas como uma árvore de natal, enfeitando o que deveria ser derrubado. Basta olhar para Europa, que apostou na social-democracia, foi traída e agora vemos o ressurgimento do fascismo se aproveitando da desesperança popular.

No final das contas, ações como as de vocês só servem para demarcar o limite aceitável pela opressão de até onde o povo pode ir. Cada vez que vocês agem, a classe dominante fica feliz, pois vê que pode dormir tranquila, pois vocês não os ameaçam e nem incomodam. Já nós, mostramos ao povo que justamente esse limite está aí para ser quebrado caso desejemos conseguir o que queremos.

Sobre o black bloc daqui não ter organização, por favor, não falem do que desconhecem. Embora nem todo participante de black bloc seja anarquista, nós anarquistas nos organizamos, sim. Se vocês estão ausentes da floresta, a árvore que cai não deixa de fazer estrondo. Nós nos organizamos, estejam vocês presentes ou não para testemunhar. Só que o black bloc não é fechado, pois é estratégia, não grupo. Ninguém pode impedir que as pessoas se unam o black bloc. Da mesma forma como nem todos que acompanham os PSOListas nas manifestações são militantes. Ou vocês sabem todas as pessoas que andam em seus blocos? Principalmente sendo vocês os vanguardistas que são.

Vocês tem coragem de dizer que a recente manifestação em brasileira foi uma bagunça e a de Gênova em 2001 foi exemplo de organização e de ações de defesa calculadas? Vocês então não reconhecem a responsabilidade da polícia brasileira por causar o caos nas manifestações e acham que em Gênova os eventos foram de natureza distinta. Pura síndrome de vira-lata. Na verdade, eu não sei o que vocês querem com esse texto, pois ele não deixa claro seu propósito. Vocês estão que nem The Clash que não sabe se fica ou se vai. Vocês querem que o black bloc suma das manifestações ou propõem que ele seja aprimorado para chegar ao nível de eficiência das versões estrangeiras? Se o black bloc no Brasil agisse como o de Genova 2001, vocês reclamariam em dobro! Vão lá no YouTube olhar, então. Reclamar de povo tacando garrafa na polícia numa manifestação é incrível. Isso aí é falta de demarcar seus inimigos. Sim, quem te espanca é teu inimigo. Quem mata teus concidadãos é teu inimigo. Do contrário, ou você é ingênuo ou é inimigo também. Vai lá dar florzinha pra PM. É ridículo avaliar manifestação ou manifestantes de acordo com o nível de satisfação dos PMs! Novamente, como os PSOListas doidos para sair na Globo durante o ato no prédio da Vale no Rio, vocês se preocupam com o que a mídia vai dizer. Ainda não entenderam que a boca do inimigo não pode ser seu porta-voz. Vocês não podem contar com a disposição do inimigo como recurso de luta, pelo contrário, vocês devem extinguir a disposição. Isso que vocês fazem não é luta, mas concessão atrás de concessão. Vocês querem sair bonitos na foto de acordo com o senso estético dos inimigos. Vocês deixam o inimigo pautar os valores do povo e depois querem ser julgados pelo povo através dos valores do inimigo. Por isso que vocês não têm mais coragem de falar em socialismo nos jornais. Isso sim é ser mascarado! E sobre organização, vocês tem sempre como estratégica abandonar o ato quando o pau come, largando o resto do povo ao deus-dará. De novo, não ameaçam o status quo, não demarcam seus inimigos e abandonam quem deveriam proteger.

Posso dizer que vocês não ajudam ao aprimoramento do Black Bloc brasileiro, pois se todo mundo acreditar na versão dos fatos que vocês adotam, ninguém mais participaria do Black Bloc. Se é esse o objetivo de vocês, então sigam em frente, pois aí sim vejo coerência. Agora, se é para aprimorar o Black Bloc, vocês estão atrapalhando.

Que vocês não gostem de black bloc ou de sua instância brasileira, até posso aceitar. Só fico extremamente aborrecido com esse tipo de análise que tenta distorcer as coisas para favorecer os interesses do autor. Todo esse malabarismo conceitual cria uma versão falsificada da História e eu considero isso um desserviço tanto para qualquer um no presente como para as gerações futuras.

O site Mídia Coletiva também tem um artigo sobre esse texto e o primeiro parágrafo é muito interessante para vermos como é a falsificação da história em tempo real por parte da social-democracia-rabo-preso:

‘O texto da insurgência-PSOL (A tática Black Blocs é capaz de parar a PEC 55/241?) começa com uma análise tão distorcida que dá pena: “Chama atenção a baixa participação de petistas e ex-governistas”. Mas esquecem de mostrar que era visível a hegemonia do PCdoB/CTB-UJS-UNE-UBES, PT/MST-CUT; LPJ/CP e as do para-governismo, que sempre (sempre) ficam à reboque da fração hegemônica da socialdemocracia (quer em teoria, quer em método de ação, quer nos dois), como PCR/UJR, PSOL/RUA, PSTU/ANEL, etc. Ou seja: Leitura de realidade errada. Pra tentar justificar uma suposta “autonomia” e espírito de “primeira vez” da maioria dos indivíduos no protesto.’

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