Minha passagem pela “Alternativa Popular”

Minha participação na iniciativa Alternativa Popular foi um episódio confuso. Desde o início achei que a pauta não era compatível com o anarquismo, pois focava em reformas. Mas acreditei que seria importante combater a diminuição de direitos que se intensificaria com o governo Temer. Ademais pensei que, botando o bloco na rua, haveria oportunidade de fazer propaganda anarquista “boca-a-boca”.

Saí logo dessa iniciativa, pois entrei num período meio recluso. Não acesso mais o Facebook, embora ainda mantenha minha conta ativa. Não vejo muito problema em ter produzido ilustrações para a campanha. Já fiz charge para os comunistas, por exemplo. Não tenho problemas em fazer arte para fora do anarquismo se for um lance sincero. No Alternativa Popular, não ilustrei nada em que não acreditasse.

Acho que a campanha mingou. Parece ter se tornado um canal para dilmistas gritarem Fora Temer – isso era previsível. Mesmo que consigam botar o bloco na rua, não me parece uma boa ideia tentar propagar anarquismo ao lado da CUT  que serve de polícia ideológica nos atos. Levante uma bandeira com “A na bola” e os caras chamam a polícia como se isso fosse crime. E a polícia te leva feliz. Você não fica preso, mas fica detido. Talvez durma na delegacia, dentro da cela.

Eu tenho preferido fazer um trabalho silencioso de divulgação do anarco-comunismo. Não por ser menos arriscado 🙂 , mas por requerer menos comprometimentos. Não dependo de muita gente e é mais fácil de realizar. Espero estar mais ativo coletivamente em breve. Sístole e diástole.

Anúncios