A cooptação da Campanha pela Liberdade de Rafael Braga pela ex-querda oportunista.

RESPOSTA: Membros anarquistas negam que esteja havendo cooptação da campanha. Dizem eles que este artigo é um desserviço, que apresenta uma conclusão torpe e pedem que mais anarquistas estejam presentes até mesmo para evitar que sujeitos oportunistas possam agir de má fé.

 

Texto original:

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Acabo de voltar da passeata da campanha pela liberdade de Rafael Braga, no centro do Rio. Eu, sinceramente, preferiria não ter ido. Que os partidos, que nunca ligaram para o Rafael, resolveram só agora aderir à campanha, todos já sabem. Só que eu não sabia que a coisa tinha atingido níveis tão assustadores. O que está havendo é basicamente entrismo. Indivíduos de partidos se fazem presentes para afastar ou mesmo expulsar os membros originais da campanha, um a um, sob acusações de racismo. Mulheres abandonaram a campanha por se levantarem contra machismo e serem acusadas de volta de racismo. Mais uma vez, partidários se aproveitam de uma causa importantíssima, nesse caso, a causa do povo negro, para afastar indesejáveis e influenciar grupos que estejam participando da campanha.
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Como os fascistas têm cortejado a Pós-Esquerda

Neste texto polêmico, Alexander Reid Ross explora como a vertente anarquista pós-esquerdista, que rejeita o histórico compartilhado entre o movimento anarquista e o resto da esquerda, pode estar sendo atraída para o campo da extrema-direita, que tem recobrado popularidade recentemente, e até mesmo proporcionando aporte teórico para ela. Toda a intertextualidade original foi mantida, com uns quatro ou cinco links adicionados para melhor clarificação de alguns pontos.

Título original: The Left Overs: How Fascists Court the Post-Left
Por Alexander Reid Ross
Tradução de Cris Oliveira
Revisão pendente

Alguns meses atrás, a publicação radical Fifth Estate solicitou um artigo meu discutindo a ascenção do fascismo em anos recentes. Após a decisão deles de retirar o texto, aceitei o convite da Anti-Fascist News para publicar uma versão expandida aqui, com algumas mudanças, diante da insistência de amigos e colegas escritores.

Em Solidariedade, AAR Continue lendo

Nada melhorará enquanto os indignados continuarem passivos

Fotos de Francisco Proner Ramos (Mídia Ninja)

Rio de Janeiro, sexta-feira, 28/04/2016. Ato contra a reforma da previdência. Concentração na ALERJ- foi só os carros de som saírem que a polícia começou a atirar bombas nos manifestantes que ficaram para trás. Num primeiro momento, pessoas correm, mas depois se acalmam e tentam continuar o ato com as bombas estourando como se fosse ossos do ofício. No fim da rua, com os independentes já à frente da passeata, o carro de som parecia querer passar por cima deles enquanto os acusava de tentar impedir seu progresso. Se os independentes tivessem saído desembestados, teriam dado de cara com a tropa de choque.

Quebra-quebra durante todo o percurso, porque a polícia cismou de atacar as pessoas o tempo todo e estas ficaram revoltadas. Seguiram em fuga onde a CUT organizava seu vergonhoso ato-show. O choque veio aos pouquinhos, mas atacando sempre. Tanto as lideranças em palco como sua massa de manobra pediam para que manifestantes não provocassem ou não dessem motivos para a polícia atacar. A polícia conseguiu dispersar a multidão e o resto foi o caos tocado por aqueles que iam fugindo e tentando resistir no caminho. Vários ônibus queimados e a polícia sempre no encalço. Fim do relato

O que fica patente é que a esquerda institucional quase pede licença para demonstrar sua revolta dentro dos limites instituídos por aqueles contra os quais ela se opõe. A polícia determina o que vai acontecer e essa esquerda espera sua boa vontade para poder realizar alguma ação. Como a polícia demonstrou que o ato não era possível perante sua vontade ou a vontade do governo estadual, sobra à organização do ato jogar a culpa nos “vândalos”.

Em vários momentos, lideranças sindicais cortejaram o black bloc a partir dos carros de som. Mesmo assim, demonstraram muito bem que queriam mais que o bloc se fodesse. E a sua presença no ato é aceita pela função de bode expiatório. Vale lembrar que a postura da CUT no ato do dia 15/03/2017, contratando hooligans para bater em anarquistas e socialistas revolucionários foi denunciada e duramente criticada nas redes sociais. O cortejo ao bloc tenta quebrar essa imagem, mas é uma armadilha: agora eles vão dizer que foram os “vândalos” que estragaram o ato, ignorando que foi iniciativa da polícia impedir que o ato acontecesse.

Isso me faz questionar se a ação da polícia não fora combinada com a organização do ato, já que foram só os carros andarem para a violência começar. Porém não posso afirmar tal coisa. Estaria sendo leviano se o fizesse. O que eu posso afirmar é que não há como resistir à polícia enquanto boa parte do resto dos manifestantes não assumirem uma postura tão combativa quanto a do black bloc. E se os manifestantes ficarem à mercê de lideranças sindicais e de movimentos partidários, quem vai pautar os limites da revolta popular será justamente o poder contra o qual essa população se revolta.

Egoísmo como motivação é um erro

Renrits

Renrits Xam, o mais famoso propositor da ética empática e da coletividade.

NOTA: Só usei a imagem do Max Stirner porque ele é um dos três únicos egoístas que conheço de nome. Outra é a Ayn Rand e não tive a mínima coragem de ilustrá-la aqui. O terceiro seria Nietzsche, mas eu já tô cansado do bigodudo. Faz mais sentido usar a imagem do Stirner porque ele está dentro de um âmbito no qual eu ainda posso ter algo a concordar, mas não tem nada especificamente contra Stirner nesse post. É apenas uma crítica ao conceito de egoísmo em geral. FIM DA NOTA!

Até pouco tempo defendi que o ser humano era egoísta em suas motivações e que a solidariedade se dá pela empatia. Eu não posso mais manter tal postura. Posso admitir a existência do indivíduo como unidade de medida, mas não como unidade auto-suficiente, pois eu não consigo entender o ser humano observando-o isoladamente. Nem ao menos posso acreditar que o ser humano seja capaz de se desenvolver enquanto indivíduo fora da coexistência com os semelhantes. Nem mesmo posso acreditar no seu desenvolvimento fora de um meio, qualquer que seja. Não há uma substância “ser humano” que exista sem o que está ao seu redor. Continue lendo

Jovens conservadores e valores vigentes

hqdefaultTítulo original: Da orientação de jovens e dos valores enquanto vigência e heterodoxia

Jovens conservadores parecem estranhos, mas na verdade, há uma explicação para que eles existam. Jovens querem aceitação. Eles querem estar certos. Se eles defenderem normas vigentes ou ao menos defendidas por aqueles em posição de autoridade, então garantem para si o sentimento da certeza. Na essência, não é diferente da motivação para jovens progressistas ou rebeldes. Estes querem entender por que as coisas em vigência não funcionam como deveriam e escolhem defender a mudança. No fim das contas, são duas formas de lidar com a frustração: o rebelde combate o motivo da frustração, enquanto o conservador busca um meio de evitá-la, se alinhando ao lado do mais forte.

 

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Enquanto os rebeldes que buscam nos jovens novos quadros são vistos como corruptores da juventude, os conservadores também buscam jovens quadros, mas isto é visto como normal, pois o conservadorismo é a norma dos valores na sociedade. O conservadorismo pode ser ensinado tranquilamente nas escolas, porém, como vemos hoje, até mesmo a menção da rebeldia na sala de aula é motivo de medo. Verdade seja dita, eu tive a sorte de entrar em contato com conteúdos “heterodoxos” na minha escola sem que alguém chiasse, embora tais conteúdos tenham sido dados en passant e de forma não muito fiel aos fatos. Verdade seja dita novamente, muita coisa “ortodoxa” também me foi ensinada de forma pouco fidedigna. Mas foi outra época. De qualquer forma, a diferença entre uma opinião favorável à orientação de jovens para a rebeldia ou o conservadorismo é puro relativismo. A maioria aprovará a reprodução dos valores que a maioria aprova. Isso até que algum impacto ocorra para mudar as estatísticas, mas não mudará o princípio de retroalimentação da maioria. Continue lendo